Capítulo 7: A Forja do Vazio
No Nirvana, o tempo n?o flui como em Peridot. Enquanto os exércitos marcham e o sangue congela nas estradas da capital, Yami Nishigaki vive um ciclo interminável de dor e introspec??o. O presente de Amaterasu e as palavras de Buda deram-lhe um f?lego novo, mas a realidade do treinamento era um abismo de frustra??o.
Yami voltou a sentar-se sob as raízes das árvores milenares. Ele fechou os olhos, respirou fundo e buscou o plano mental onde sua sombra residia. Ao abrir os olhos na dimens?o cinzenta, a figura grotesca de ódio já o esperava. Como das outras vezes, a criatura n?o proferiu uma única palavra; apenas avan?ou com uma sede de destrui??o que espelhava o lado mais sombrio de Yami.
— Calma... sinta o fluxo... — sussurrou Yami para si mesmo, assumindo uma posi??o de defesa.
Ele tentou ignorar os elementos. Nada de gelo, nada de eletricidade. Ele buscou a energia bruta que pulsava no centro de seu ser: o Núcleo Puro. No entanto, sentir a essência sem a forma era como tentar segurar água com as m?os. A energia escapava, desestabilizando-se antes de chegar às extremidades.
A sombra aproveitou a hesita??o. Um soco de energia densa atingiu o est?mago de Yami, seguido por um cruzado que o lan?ou ao ch?o. A dor física no plano mental era real o suficiente para fazer seu sangue ferver.
— Maldi??o! — gritou Yami, sentindo a raiva subir pela garganta como fuma?a negra.
No instante em que seu autocontrole fraquejou e o ódio come?ou a tingir sua aura de púrpura, o mundo "físico" do Nirvana reagiu. Um galho da árvore chicoteou o ar, atingindo Yami nas costas, exatamente sobre a cicatriz deixada anteriormente.
— AGH!— O grito ecoou nos dois planos. A dor serviu como um interruptor, expulsando-o da medita??o e trazendo-o de volta à realidade do gramado.
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Dia 3
Yami estava coberto de suor e novas marcas de chicotadas. Ele conseguia ver o Núcleo Puro por milissegundos — uma faísca branca e límpida que envolvia seus dedos — antes que a sombra o sobrepujasse. A criatura de ódio parecia ficar mais forte à medida que ele tentava combatê-la com calma. Era um paradoxo: para vencer o ódio, ele precisava de uma for?a que n?o viesse do ódio, mas o ódio era a única coisa que ele conhecia profundamente.
Dia 5
O cansa?o era devastador. Yami mal comia a marmita deixada por Buda. Cada vez que ele entrava no plano mental, recebia uma surra da sombra e, toda vez que perdia a paciência, as árvores o castigavam no mundo exterior. Suas costas eram um mapa de feridas abertas e cicatrizes em forma??o. Ele sentia-se um fracasso. "Tem muita gente contando com isso", a voz de Buda ecoava em sua mente, tornando o fardo ainda mais pesado.
Dia 7
Yami estava no limite da exaust?o. Ele sentou-se mais uma vez. Seus batimentos cardíacos estavam lentos. Ele n?o tentou for?ar a energia. Ele simplesmente aceitou a dor, aceitou a fome e aceitou a possibilidade de falhar.
Ele se projetou. A sombra avan?ou com um soco descendente capaz de rachar o solo mental. Yami n?o se moveu. Ele fechou os olhos e, em vez de empurrar o núcleo para fora, ele o convidou a fluir como se fosse parte de sua própria respira??o.
Tum-tum.
Pela primeira vez, n?o houve resistência. Uma película fina, quase invisível e brilhante como seda de prata, envolveu sua m?o direita. N?o era gelo, n?o era raio; era a manifesta??o física da sua alma em estado bruto.
A sombra atingiu a palma da m?o de Yami. O impacto, que antes o destruiria, foi absorvido. O Núcleo Puro estabilizou a energia caótica do ódio. Yami abriu os olhos e viu a fina camada de energia protegendo sua m?o.
Ele n?o sentiu raiva. Ele sentiu clareza.
Com um movimento calmo, Yami empurrou a m?o da sombra para o lado e desferiu um soco curto no peito da criatura. Desta vez, seu golpe n?o atravessou a névoa. Houve um som de vidro estilha?ando. A criatura recuou, emitindo um chiado agudo, enquanto uma marca branca e brilhante permanecia onde Yami a tocara.
Yami voltou à realidade antes que as árvores pudessem golpeá-lo. Ele ofegava, mas n?o de dor. Ele olhou para as próprias m?os, que ainda tremiam levemente. O sinal estava lá: ele finalmente havia tocado o intangível.
No topo de um galho distante, Buda observava com um sorriso satisfeito, limpando os cantos da boca após terminar um lanche.
— Olha só... o garoto aprendeu a n?o ser um saco de pancadas o tempo todo. Sete dias... nada mal para um novato.
O silêncio do Nirvana foi cortado apenas pelo estalo do ar sendo comprimido. Assim que as palavras de Buda cessaram, o corpo de Yami reagiu por puro instinto e frustra??o acumulada. Em um borr?o de movimento, ele disparou em dire??o ao galho onde o mestre repousava, o punho carregado com a nova energia.
Buda, porém, nem sequer mudou sua express?o descontraída. No milissegundo em que o soco de Yami deveria atingir seu rosto, a figura do mestre oscilou como uma miragem. Yami atravessou apenas o ar e uma imagem residual, enquanto Buda reaparecia flutuando calmamente a poucos metros de distancia, com as m?os nos bolsos.
— Você tinha raz?o... eu tenho uma vontade enorme de te socar, Buda-Sensei — disse Yami, pousando com agilidade e virando-se para o mestre. Ele n?o estava bufando de raiva como antes; havia um brilho de confian?a calma em seus olhos. — Mas, como pode ver, estou um pouco mais rápido. Agora consigo ver as coisas com clareza... ent?o, no fim das contas, eu só tenho a agradecer.
Buda soltou uma gargalhada genuína, que ecoou por todo o jardim espiritual.
— Um talento assim realmente aparece a cada um milh?o de anos! — exclamou ele, limpando uma lágrima imaginária de divers?o. — Estou come?ando a gostar de você, garoto. Mas me diga... consegue projetar o Núcleo no plano material? Ou ele só serve para bater em fantasmas dentro da sua cabe?a?
Yami n?o respondeu com palavras. Ele respirou fundo e estendeu a m?o direita à frente do corpo. Com um esfor?o visível de concentra??o, as veias de seu antebra?o saltaram levemente. Lentamente, uma malha fina e translúcida de energia pura come?ou a se manifestar ao redor de seus dedos e palma. N?o tinha o frio do gelo nem o estalo do raio; era uma aura vibrante, estável e perigosamente afiada.
— Realmente impressionante — comentou Buda, aproximando-se e analisando a técnica com um olhar clínico. — Dá para sentir a ressonancia. Você conseguiu ferir o ódio, e isso mudou a frequência da sua alma.
Buda apontou para a marmita que havia deixado anteriormente.
— Coma um pouco e recupere suas energias. Amanh? você vai entrar lá e enfrentar o ódio novamente. Mas dessa vez, eu vou ficar por aqui e observar de perto. Quero ver se você consegue manter essa paz quando a sombra decidir lutar a sério.
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— Certo, Buda-Sensei — respondeu Yami, sentando-se e pegando a comida.
Enquanto comia, Yami sentia a cicatriz nas costas latejar, mas n?o era mais uma dor de puni??o. Era o lembrete de que ele estava sendo forjado. Ele olhou para o horizonte do Nirvana, sabendo que cada grama de controle que ganhava ali seria a diferen?a entre a vida e a morte para Jason, Hiroto e sua m?e quando ele finalmente retornasse.
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O silêncio do Nirvana naquele oitavo dia era diferente; n?o era o silêncio da estagna??o, mas o da calmaria que precede uma supernova. Yami caminhou até as árvores com passos leves, sentando-se entre as raízes que tantas vezes o a?oitaram. Ao fechar os olhos, a proje??o foi instantanea.
Lá estava ele. O ódio, com a marca brilhante do golpe anterior de Yami ainda pulsando em seu peito nebuloso. A criatura rugiu — um som mudo que vibrou na medula de Yami — e partiu para o ataque como uma fera encurralada.
Yami, no entanto, era um rochedo. Ele manteve a guarda alta, os pés firmes no ch?o mental, utilizando a malha de Núcleo Puro para desviar os golpes selvagens da sombra. Cada movimento de Yami era econ?mico, preciso, focado em desgastar a energia caótica do adversário.
Do lado de fora, a vis?o para Buda era magnífica. O corpo físico de Yami come?ou a emanar uma névoa púrpura intensa. As marcas escuras que subiam pelo seu pesco?o e bra?os, remanescentes da corrup??o de Kaito e da trai??o, come?aram a brilhar e a se dissolver em partículas de luz. Buda, encostado em um tronco com os bra?os cruzados, abriu um sorriso de orelha a orelha.
— é isso aí, garoto... limpa essa sujeira — sussurrou o mestre, os olhos brilhando de orgulho.
No plano mental, a maré virou. Yami percebeu que a sombra estava ficando lenta, sua forma física tornando-se menos densa.
— "Acabou," — disse Yami, a voz soando calma e absoluta.
Ele partiu para a ofensiva. Entre tapas que desorientavam a fera, socos que quebravam a estrutura da névoa e pontapés que a lan?avam contra o vazio cinzento, Yami dominou o combate. Pela primeira vez, o ódio mudou de face. A agressividade deu lugar à hesita??o; a criatura come?ou a recuar, seus contornos tremendo em um sentimento novo: Medo.
Yami n?o deu espa?o para a escurid?o se reorganizar. Ele concentrou o Núcleo Puro na borda da m?o direita, moldando uma pequena, mas letal, lamina de energia branca e cortante. Em um salto explosivo, ele atravessou a guarda da sombra e, com um movimento fluido de degola, separou a cabe?a do Medo de seu corpo.
A dimens?o cinzenta implodiu em luz.
Buda viu Yami ser envolto por um turbilh?o de partículas roxas que subiam aos céus como faíscas de uma fogueira extinta. Quando a poeira espiritual baixou, Yami abriu os olhos. Sua pele havia recuperado o tom vivo e saudável; as cicatrizes de ódio sumiram, restando apenas a cicatriz física da árvore em suas costas — um troféu de sua disciplina. A aura que ele emanava agora era límpida, uma mistura de paz profunda e uma confian?a inabalável.
Buda desatou a rir, uma gargalhada eufórica que fez as folhas das árvores de medita??o dan?arem.
— Você realmente é impressionante, Yami! — exclamou Buda, saltando do galho e pousando pesadamente na frente do aluno. — Limpou a casa antes do esperado. O Shinigami ficaria com inveja dessa sua faxina mental!
Yami levantou-se, sentindo-se mais leve do que em toda a sua vida. Ele olhou para as m?os, sentindo o Núcleo fluir sem a resistência do rancor.
— Eu me sinto... pronto — disse Yami, olhando para Buda. — Quanto tempo ainda me resta aqui?
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— Você ainda n?o está totalmente em paz, mas também n?o tem ódio residindo em você. Deve estar bem mais leve e rápido do que quando chegou — observou Buda, cruzando os bra?os e analisando a nova postura de seu pupilo.
— Sim, isso é verdade. Olha só isso — respondeu Yami.
Em um piscar de olhos, Yami desapareceu. O som do deslocamento de ar veio segundos depois. Para qualquer olho n?o treinado, o movimento de Yami parecia um glitch na realidade; ele percorreu toda a vasta regi?o ao redor das árvores de medita??o, surgindo em pontos diferentes como se estivesse se teletransportando, deixando apenas rastros de poeira para trás. A gravidade de dez vezes, que antes o esmagava, agora parecia n?o ser nada mais do que uma leve brisa.
— Você ainda vai me impressionar muito, moleque — disse Buda, embora seu tom de voz tivesse mudado para algo mais grave. — Mas já que está t?o confiante, você vai para aquela dire??o. Lá fica o Templo. Você tem 15 dias restantes para chegar lá. é só seguir em linha reta.
Yami parou bruscamente, a confus?o estampada no rosto.
— O que aconteceu com os 90 dias? Eu achei que tinha mais tempo.
— O tempo mudou desde que come?ou uma guerra civil em Peridot — revelou Buda, e pela primeira vez, n?o havia tra?o de deboche em seu rosto. — Os Nishigaki e os Belmont uniram-se em prol de derrotar o Shogun Toyotaro e esconder sua localiza??o. Se você quiser voltar a Peridot a tempo de salvar o que restou do seu povo, precisa chegar ao Templo agora.
O sangue de Yami gelou, mas desta vez, o foco substituiu o panico.
— E por que você n?o me disse isso antes?!
— Porque só agora você está pronto — respondeu Buda de forma simples. — Seu treinamento aqui ainda n?o acabou, mas a situa??o lá fora tornou-se urgente. N?o há mais espa?o para erros. Te espero no Templo.
Sem dar tempo para mais perguntas, Buda desapareceu, deixando apenas o rastro de sua presen?a e o eco de seu sorriso confiante. Yami olhou para a dire??o apontada, onde uma floresta densa e mística se estendia até o horizonte, escondendo o caminho para o Templo.
Ele n?o hesitou. Flexionou os joelhos, o ch?o sob seus pés rachou com a press?o do Núcleo Puro, e ele disparou floresta afora como um raio prateado. O herdeiro da Morte estava finalmente voltando para casa, e a Capital Real n?o perdia por esperar.
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A floresta do Nirvana n?o era um ecossistema comum; era um labirinto vivo de propor??es colossais, onde as árvores pareciam tocar o teto do mundo e a densidade da vegeta??o distorcia a percep??o de tempo e espa?o. Yami disparou entre os troncos monumentais, mas, após as primeiras horas, sentiu seus sentidos vacilarem. O norte parecia o sul, e o aroma de flores exóticas bagun?ava sua orienta??o. A imensid?o era t?o absurda que ele se sentia uma formiga tentando cruzar um continente.
No entanto, o foco de Yami era absoluto. No terceiro dia de corrida ininterrupta, ele parou por um segundo sobre um galho gigantesco. Seus sentidos, agora limpos da névoa do ódio, captaram uma pulsa??o familiar. Era uma energia ínfima, distante, mas que ele já havia sentido em algum lugar. Ele franziu o cenho, tentando identificar a origem, mas a sensa??o sumiu t?o rápido quanto apareceu.
— O que foi isso? — murmurou, antes de retomar a velocidade.
No quinto dia, a conex?o com o ambiente mudou. Enquanto saltava por entre copas de árvores que pareciam cidades, Yami sentiu a energia de um pequeno animal selvagem que se escondia a quil?metros de distancia. Ele percebeu, com um misto de surpresa e satisfa??o, que o amadurecimento do Núcleo Puro havia desbloqueado uma percep??o inata. Ele n?o precisava mais procurar pela energia; o mundo agora "falava" com ele através de vibra??es.
No sétimo dia, a pulsa??o misteriosa retornou, mas desta vez era um rugido vibrante em seus sentidos. Ele finalmente reconheceu: era a assinatura de Ren. O vínculo que compartilhavam no plano físico ressoava ali, no Nirvana, como um farol. Yami fechou os olhos por um breve instante, sintonizou sua própria frequência com a de Ren e redirecionou seu curso. Ele n?o estava mais apenas correndo; ele estava sendo puxado.
A velocidade de Yami atingiu um novo patamar. Ele se tornou um borr?o que cortava a umidade da floresta, ignorando o cansa?o que come?ava a pesar em seus músculos.
No décimo dia, a vegeta??o come?ou a rarear, dando lugar a uma vis?o que o deixou sem f?lego. O Templo surgiu no horizonte, erguendo-se com uma imponência divina contra o céu do Nirvana. A escala de tudo era inacreditável. A floresta que ele acabara de atravessar era uma barreira natural t?o vasta que separava o deserto infinito das terras sagradas.
— Como que tudo aqui é grande! Estupidamente grande! — exclamou Yami, a voz carregada de incredulidade. — Sinto que dei uma volta inteira no mundo só para chegar aqui, mas n?o tenho tempo a perder. Preciso voltar!
Com o objetivo à vista, Yami liberou tudo o que tinha. Ele n?o usava mais apenas o Núcleo Puro de forma contida; a urgência fez com que sua natureza elemental transbordasse. Raios roxos chicoteavam o ch?o a cada passo e um rastro de gelo cristalino congelava as folhas por onde ele passava, deixando uma trilha brilhante de destrui??o e beleza para trás.
Faltavam cinco dias para o prazo final de Buda, e Yami Nishigaki corria como se a própria existência de Peridot dependesse de cada milissegundo.
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O Templo surgiu diante de Yami n?o como uma constru??o de pedra, mas como uma montanha esculpida pela própria divindade. As escadarias eram t?o largas que poderiam acomodar exércitos inteiros, e no topo, sentado sobre uma plataforma de obsidiana, estava **Ren**. O imenso tigre branco abriu os olhos no momento em que Yami cruzou o pátio central, rugindo uma sauda??o que fez as colunas do templo vibrarem.
— Você conseguiu atravessar o jardim de Buda, filhote — a voz de Ren ressoou diretamente na mente de Yami, carregada de um respeito que n?o existia antes. — Mas olhe para si mesmo. Você n?o é mais o garoto que caiu aqui cego de ódio.
Yami parou, ofegante, o rastro de gelo e faíscas se dissipando atrás de si. Ele olhou para Ren e depois para o centro do templo, onde um pilar de luz branca pulsava ritmicamente, conectando o Nirvana ao vazio.
— N?o temos tempo para conversas, Ren! — disse Yami, aproximando-se do portal. — Buda disse que Peridot está em chamas. Minha m?e, meu cl?... Jason... todos est?o em guerra.
— O portal exige um pre?o, Yami — avisou Ren, levantando-se e caminhando até o pilar. — Para voltar, você deve projetar seu Núcleo Puro em uma frequência de retorno. Se você hesitar ou se uma gota de dúvida restar em seu cora??o, você será despeda?ado entre as dimens?es. Você confia na paz que encontrou?
Yami fechou os olhos. Ele pensou na cicatriz em suas costas, no beijo de Amaterasu e no rosto de cada pessoa que ele jurou proteger. Ele estendeu a m?o para a luz e, em vez de tentar dominá-la, ele fundiu sua energia com a do pilar. Uma explos?o de luz branca e azul envolveu o templo, e o grito de Ren foi a última coisa que ele ouviu antes que o mundo fosse sugado por um vácuo absoluto.
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Enquanto isso, em Peridot, a Capital Real estava mergulhada no caos. O céu, antes nublado, agora estava tingido de um laranja doentio devido aos incêndios e às explos?es de Núcleo.
Na linha de frente, a Alian?a do Sangue Congelado enfrentava uma resistência brutal. Hiroto liderava o flanco esquerdo, suas laminas de gelo cortando as armaduras dos Números do Baralho Real, enquanto Jason, exausto e com a armadura de platina pesando sobre seus ombros, tentava romper o bloqueio central.
— Eles n?o param de vir! — gritou Jason, golpeando um soldado com um impacto metálico. — Onde está o Rei de Paus?
— Ele está esperando que fiquemos cansados, Jason! — respondeu Alaric, limpando o sangue do rosto.
De repente, o ar acima do campo de batalha come?ou a crepitar de uma forma que ninguém ali reconhecia. N?o era o fogo do Curinga, nem o gelo de Hiroto. Um relampago de cor roxa, absolutamente límpido, cortou as nuvens e atingiu o centro da "Terra de Ninguém", entre os exércitos, criando uma cratera de impacto que lan?ou soldados de ambos os lados para longe.
O silêncio caiu sobre o campo de batalha por alguns segundos. Da fuma?a e dos fragmentos de cristal que se formaram no impacto, uma figura se levantou.
Yami Nishigaki estava de volta.
Sua pele estava limpa, sua express?o era de uma serenidade mortal e a aura que emanava de seu corpo fazia o ar vibrar com uma press?o que até mesmo os Reis, lá no alto das muralhas, puderam sentir. Ele n?o olhou para o exército do Shogun primeiro; ele olhou para Jason e Hiroto.
— Desculpem o atraso — disse Yami, sua voz carregada por uma proje??o de Núcleo que ecoou por quil?metros. — Eu tive que resolver uns assuntos com meu próprio ódio. Agora... onde está o Toyotaro?
Jason soltou uma risada curta, sentindo um peso sair de suas costas ao ver o amigo. Hiroto, pela primeira vez em dias, permitiu-se um sorriso de canto. O herdeiro da Morte n?o era mais uma promessa; ele era uma realidade.